A recuperação dos últimos dias no mercado de criptomoedas parece ter chegado a um fim repentino. Durante esta quinta-feira, o preço do Bitcoin sofre uma queda que o leva à faixa dos US$ 62.500 por moeda, justamente quando parecia que seu valor de câmbio estava se consolidando acima dos US$ 64.000.
De acordo com dados Pelo portal CoinMarketCap, a criptomoeda mais importante por capitalização de mercado caiu 4,9% em 24 horas. Isto deixa o desempenho de 7 dias em -1,3%, indicando que a recente recuperação de alívio terminou após esta venda repentina em todas as frentes.
Vale ressaltar que o momento ruim não se limita apenas ao preço do BTC. Entre as chamadas altcoins, a perspectiva também é visivelmente negativa, com quedas acentuadas em tokens como ETH, BNB e SOL. Mesmo moedas importantes como HYPE e ZEC estão apresentando quedas de dois dígitos em 24 horas, sugerindo que o nervosismo dos investidores é alto.
Em termos gerais, a capitalização de todo o amplo mercado de ativos criptográficos contrai 4,4%, para US$ 2,16 trilhões. Desta forma, a queda sofrida pelo Bitcoin causou um pânico generalizado nas vendas no restante do mercado criptográfico.
Vale ressaltar que o desempenho das criptomoedas contrasta com o das ações do mercado de ações dos EUA. No momento em que este artigo foi escrito, os principais índices de Nova Iorque apresentavam números verdes sólidos e espera-se que a recuperação se prolongue pelo resto da semana.

Os elementos por trás da queda sofrida pelo Bitcoin
Em teoria, o BTC deveria estar em alta, considerando que o ambiente geopolítico está impulsionando o apetite pelo risco em Wall Street. A assinatura do acordo de entendimento entre os EUA e o Irão provocou uma descida do preço do petróleo e uma visível retoma dos fluxos de capitais para activos de risco.
Estas são condições ideais para um impulso nos activos de capital, tal como acontece com as acções. No entanto, as criptomoedas parecem estar sintonizadas em outra frequência. Neste ponto surge a questão de saber qual(is) fator(es) tem maior peso que a geopolítica no BTC.
Aqui aparece o fator macroeconômico. Esta quarta-feira, a Reserva Federal, agora sob a liderança de Kevin Warsh, manteve-se rígida na sua política monetária restritiva. A pressão inflacionária e a força do mercado de trabalho nos Estados Unidos obrigam o banco central a manter a taxa de juro inalterada, mesmo com algumas ameaças de aumentos.
Nesse sentido, os investidores em criptomoedas parecem estar digerindo, e da pior forma, as informações do novo presidente do Fed. Isso se reflete na queda sofrida pelo Bitcoin no mercado spot.
É importante ressaltar que o mau momento do mercado de criptomoedas se estende fortemente ao setor de derivativos alavancados. Tudo isso combinado sugere que, para os principais grandes investidores, o preço mínimo do BTC ainda não foi alcançado, impedindo uma recuperação consistente.
Liquidações no mercado de derivativos e queda do STRC
As liquidações forçadas no mercado de derivados não tardaram a acontecer, o que se reflecte no dados da CoinGlass. Estes revelam que, no total, cerca de 600 milhões de dólares foram liquidados neste sector num período de 24 horas. Desse valor, as posições longas cobrem US$ 515,31 milhões e as posições curtas, US$ 85,57 milhões.
A maior parte das liquidações forçadas neste setor ocorreram durante as últimas 4 horas. Este último indica que a queda pegou os traders desprevenidos, que estavam confiantes em uma recuperação de alívio mais longa e, portanto, abriram inúmeras posições de alta.
Por outro lado, destaca-se um elemento não menos chocante: a queda das ações preferenciais da Strategy (STRC). Esses ativos são decisivos para a continuidade das compras recorrentes de Bitcoin por aquela empresa. O facto de estes activos terem atingido mínimos históricos de 85,3 dólares por unidade é alarmante, considerando que o seu rendimento é de 11,5%.
Para que o STRC retorne ao nível de US$ 100, a empresa precisa aumentar ainda mais a taxa de dividendos. No entanto, isso alimenta um ciclo vicioso em que a empresa precisa levantar mais dinheiro para cumprir essas obrigações, em vez de alocá-lo ao BTC.
De qualquer forma, tudo indica que a empresa não absorverá oferta esta semana, o que contribui para a pressão vendedora do Bitcoin.