Uma nova iniciativa legislativa bipartidária, apresentada na Câmara dos Representantes, visa congelar formalmente os fundos Bitcoin detidos pelo governo dos EUA. Ele conta contempla a criação de uma reserva estratégica nacional com um período de retenção mínimo de vinte anos.
O principal autor da proposta, o republicano Nick Begich do Alasca, juntamente com o democrata Jared Golden do Maine, apresentaram formalmente a “Lei de Modernização da Reserva Americana de 2026”, conhecida pela sigla ARMA. A legislação propõe a criação de uma Reserva Estratégica de Bitcoin e de um Depositário de Ativos Digitais independente. Esta última estrutura abrigará ativos não-BTC que estão sob o controle do Departamento do Tesouro.
O projeto de texto jurídico proíbe explicitamente as autoridades nacionais de vender, trocar, leiloar ou tributar os fundos depositados durante o período de bloqueio estipulado.
Expirado o prazo de duas décadas, o Secretário do Tesouro terá poderes para recomendar a venda controlada de ativos. Contudo, estas liquidações institucionais não podem exceder 10% da reserva total em qualquer período de dois anos.
Os legisladores envolvidos no projeto afirmaram que a nação não deveria se desfazer dos seus recursos digitais estratégicos, mas sim garantir a sua permanência para as gerações futuras.
A medida busca dar continuidade à ordem executiva assinada no ano passado pelo presidente Donald Trump. Essa disposição inicial determinava que o inventário nacional seria financiado principalmente por meio de fundos de Bitcoin e outros tokens apreendidos em processos judiciais civis e criminais.
Tesouro prioriza encerramento de leilões públicos de fundos Bitcoin e avalia novos mecanismos de compra
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, ratificou no início deste ano a nova política governamental destinada a reter activos confiscados. O responsável explicou na altura que o primeiro passo fundamental foi parar definitivamente as vendas públicas de moedas digitais. Uma vez consolidada esta fase de retenção, os órgãos federais procederão à incorporação sistemática dos saldos provenientes dos confiscos.
Ao contrário das propostas legislativas anteriores que propunham a compra de até um milhão de unidades de Bitcoin num período de cinco anos, o projeto ARMA não estabelece uma meta numérica específica. Em vez disso, a lei orienta os departamentos do Tesouro e do Comércio a realizar estudos de viabilidade técnica. Os gabinetes devem determinar se é possível executar aquisições adicionais através de mecanismos financeiros que não afectem o orçamento nacional.
Entre os métodos de financiamento sugeridos no projecto estão a conversão de activos secundários, a reavaliação de certificados de ouro e a utilização de receitas provenientes de tarifas comerciais.
Da mesma forma, o quadro jurídico contempla o estabelecimento de alianças estratégicas com os governos dos diferentes estados da União. A proposta também exige que as agências federais apresentem uma contabilidade detalhada de seus recursos digitais no prazo de sessenta dias.
Transparência institucional através de auditorias independentes e prova de reserva
Dados de mercado da empresa de análise Arkham Intelligence estimam o valor atual do Bitcoin e de outros fundos criptográficos do governo dos EUA em aproximadamente US$ 26 bilhões. Este imenso portfólio público é composto principalmente por Bitcoin, ETH e pela moeda estável USDT. Por esta razão, a nova legislação introduz controlos rigorosos de supervisão parlamentar para garantir uma gestão correcta dos fundos.
O quadro regulamentar da lei ARMA exige a publicação trimestral de relatórios de teste de reservas institucionais acessíveis a todos os cidadãos. Da mesma forma, o protocolo financeiro estadual estará sujeito a constantes auditorias e revisões independentes por parte de comissões do Congresso.
Os defensores do projecto confiam que estas medidas de transparência consolidarão uma estratégia de reservas moderna e adaptada à evolução dos mercados globais.